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Tudo o que você precisa saber sobre dor nas costas (lombalgia)

Muitos pacientes possuem dúvidas sobre a lombalgia ou dor nas costas, e para solucionar algumas dessas questões o Dr. Carlos Michel Albuquerque Peres, Neurocirurgião e Neurorradiologista Terapêutico do Hospital Santa Julia, preparou este texto.

Tenho dores nas costas há muito tempo e há uns 2 meses, minha perna direita começou a doer junto com as costas. O que é isto?

A lombalgia é caracterizada por dor na região da coluna lombar, podendo também atingir a região sacral e sacrilíaca. A fonte da dor pode estar nas articulações, discos intervertebrais, vértebras, músculos ou ligamentos que sofram irritação ou inflamações. É um problema extremamente comum na sociedade moderna e sabe-se que até 80% da população terá uma crise de lombalgia no decorrer da vida, sendo que 90% destas pessoas apresentarão mais de um episódio.

A lombalgia é classificada em duas categorias: aguda e crônica, sendo que a primeira delas é a que incomoda 80% das pessoas. Apesar do desconforto, a dor regride espontaneamente em até seis semanas (caráter autolimitante) e, na maior parte dos casos, não é incapacitante. Em mais da metade dos pacientes, os sintomas de dor amenizam após uma semana e a grande maioria fica livre de dor em até três meses. Os casos em que a dor se estende por mais de três meses, são classificados como lombalgia crônica.

Entender as causas da doença é importante para seu tratamento e estas se dividem em várias áreas::

– Esforço repetitivo e/ou excessivo, como carregar peso em demasia.

– Traumas relacionados a movimentos bruscos, principalmente, com a inclinação do tronco com as pernas esticadas e movimentos de torção.

– Erro postural, como sentar desalinhado. Posição não ergonômica no trabalho, como assento sem apoio na coluna, ou ainda ficar muito tempo na mesma posição.

– Obesidade e condicionamento físico inadequado.

– Deficiência ou má qualidade do sono, fadiga e sintomas de estresse e depressão.

– Hérnia de disco e osteoartrose da coluna (bico de papagaio).

– Imperfeição congênita da coluna.

– Espondilolistese: escorregamento de uma vértebra sobre outra.

– Fratura na coluna decorrente de trauma severo (acidente automobilístico, queda, etc.).

– Infecção na coluna (discite/osteomielite).

– Tumores.

– Osteoporose.

No caso da pergunta, como a dor começou a irradiar para o membro inferior direito, é necessário procurar um especialista (que pode ser um Neurocirurgião ou um Ortopedista, este com especialidade em coluna) para diagnosticar corretamente e instituir o tratamento adequado.

Como é feito o tratamento ?

Os tratamentos também variam de acordo com as causas. Nos casos de lombalgia aguda, com dor leve ou moderada, o melhor é manter a rotina diária habitual, pois a atividade física promove uma recuperação mais rápida.
Quando a dor é severa pode ser realizado um repouso no leito por poucos dias, seguido da retomada das atividades progressivamente. Também é possível utilizar medicações como analgésicos, antiinflamatórios e relaxantes musculares.  O paciente é encorajado a retornar suas atividades profissionais e de recreação usuais tão logo seja possível e passado o período crítico de dor, quando então o foco do tratamento passa a ser a prevenção de novas crises, através da fisioterapia, programas de conscientização postural e exercícios.

Os casos de lombalgia crônica são mais complexos. Os pacientes costumam apresentar alguma alteração estrutural, como uma espondilolistese, um quadro degenerativo, uma discopatia dolorosa ou uma patologia musculoligamentar, como a fibromialgia. Entre estes pacientes, é importante notar a presença de algum dos sinais de alerta como dor que irradia para a perna e caracteriza compressão de uma raiz nervosa que emerge na coluna e distribui-se na perna; dor nas costas que piora ao deitar ou faz acordar durante a noite; problemas para urinar ou evacuar que já duram algum tempo; dormências ou fraqueza nas pernas ao caminhar, entre outros.

Os casos crônicos e os que apresentam algumas das alterações citadas necessitam de investigação com exames de imagem utilizando raios-x, tomografia e/ou ressonância magnética. O tratamento cirúrgico está indicado em alguns casos que não respondem ao tratamento clínico, e apresenta grande possibilidade de melhora dos sintomas.

Tenho dores nas costas que não melhoram. Me disseram que são provenientes de “bico de papagaio”. Há solução para isto?

O osteófito (nome oficial do bico de papagaio) é um dos componentes da artrose, ou seja, desgaste das estruturas (articulações) que permitem as vértebras se movimentarem. Com este desgaste, as extremidades dos ossos se expandem para tentar absorver melhor o impacto. Esta expansão cria bordas salientes (que parecem realmente bicos de aves), que geraram o nome popular para o problema.  Há várias causas:  idade, má postura, sedentariasmo, fatores hereditários. E as dores são causadas por compressão da raiz nervosa que passa perto do osteófito, causando inflamação na área.

O tratamento consiste em fisioterapia, melhora postural, perda de peso (em pacientes com sobrepeso). E alguns casos, pode ser necessário cirurgia para descomprimir o canal medular ou o forame (local onde passa a raiz nervosa).

O que posso fazer para evitar a lombalgia?

Evitar a lombalgia é possível com alguns hábitos simples, como regular os níveis de stress, fazer atividades físicas regularmente, controlar a alimentação e peso, e melhorar a orientação postural.

No trabalho, sentar com as costas apoiadas no encosto da cadeira, de forma alinhada e com apoio para os braços; utilizar uma mesa na altura dos cotovelos; fazer pausas de pelo menos cinco minutos a cada hora de trabalho, acompanhada de exercícios de alongamento e relaxamento; e levantar objetos do chão observando regras como separar as pernas, dobrar os joelhos e segura-lo o mais perto possível do corpo antes de levantar.

Ao dormir, preferir a posição de lado, com apoio entre os joelhos ou de barriga para cima;

Executar tarefas como passar roupa ou lavar pratos com uma caixa no chão para apoiar um dos pés alternadamente; sentar ao colocar os sapatos ou as calças.

Texto escrito por

Dr. Carlos Michel Albuquerque Peres  – CRM-AM 2480

NEUROCIRURGIA (Sociedade Brasileira de Neurocirurgia)

NEURORRADIOLOGIA INTERVENCIONISTA (Colégio Brasileiro de Radiologia)

 

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